Una la Infância e gênero no processo de escolarização paulista (1834-1848): fontes históricas para o estudo de experiências de meninas nas aulas de primeiras letras
DOI:
https://doi.org/10.60611/cche.vi24.291Palavras-chave:
Instrução primária, século XIX, educação feminina, fontes históricasResumo
Neste artigo, apresentamos reflexões sobre fontes para o estudo da escolarização feminina na primeira metade do século XIX. Circunscrevemos o estudo à primeira escola pública feminina de São Paulo, da mestra Benedita da Trindade do Lado de Christo, reconhecida como boa professora pelos governantes provinciais. Traçamos um perfil das meninas da escola da Sé a partir de dados das listas de alunas. Por meio de estátiscas maços populacionais, ensaiamos uma interpretação sobre os pertencimentos sociais e raciais de algumas famílias e suas inserções na vida sócio econômica da cidade. A seguir, analisamos relatórios da Instrução Pública focando as semelhanças e diferenças entre os relatos da aula feminina e masculina. Por fim, investigamos escritas de alunas da mestra Benedita, registros da incipiente apropriação da cultura escrita pela infância feminina. Estes quatro conjuntos documentais fornecem fragmentos sobre o corpo discente da escola pública de meninas, num momento inicial do processo de escolarização, em que esta atingia uma parcela muito pequena da população e se legitimava enquanto instituição responsável pela educação da infância. Consideramos que o acesso aos conhecimentos escolares afetou a inserção dessas meninas na vida social urbana, ampliando possibilidades culturais e profissionais. Como referencial teórico, operamos com o paradigma indiciário de Carlo Ginzburg, da micro-história, associada à perspectiva da história social e às reflexões dos estudos sobre as relações de gênero, na intersecção com as categorias de classe e raça.
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