Entre o lar e a fábrica: representações da mulher trabalhadora na imprensa operária de Belo Horizonte (1900-1905)
DOI:
https://doi.org/10.60611/cche.vi23.273Palavras-chave:
História das mulheres, gênero e trabalho, história social da educação, Belo Horizonte, imprensa operáriaResumo
O artigo analisa as representações de gênero, trabalho e educação na imprensa operária de Belo Horizonte entre 1900 e 1905, com base nos jornais O Operário (1900 e 1903-1905), vinculados à Liga Operária e ao Centro Operário da capital mineira. O objetivo é compreender como esses periódicos, produzidos majoritariamente por homens, construíram discursos sobre a mulher trabalhadora em um contexto de formação do mercado de trabalho urbano e das primeiras experiências de organização operária na Primeira República. A pesquisa, de caráter qualitativo e fundamentada em análise documental e histórico-discursiva, dialoga com os estudos de gênero e feministas (Scott, 1995; Rago, 2014; Gonzalez, 2020). Os resultados indicam que, embora esses jornais se apresentassem como instrumentos de emancipação social, reproduziam valores patriarcais e burgueses, limitando a atuação feminina ao espaço doméstico e à moralidade privada. As mulheres aparecem representadas como musas, “anjos do lar” ou “megeras”, raramente como sujeitas políticas e produtivas. Conclui-se que a imprensa operária belorizontina expressa uma visão masculina e excludente da classe trabalhadora feminina.
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